segunda-feira, 27 de agosto de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Ceci est l'histoire d'un homme marqué par une image d'enfance.
Une fois sur la grande jetée d'Orly, dans ce chaud dimanche d'avane guerre où il allait pouvoir demeurer, il pensa avec un peu de vertige que l'enfant qu'il avait été devait se trouver là aussi, à regarder les avions. Mais il chercha d'abord le visage d'une femme, au bout de la jetée. Il courut vers elle. Et lorsqu'il reconnut l'homme qui 'avaitl'l suivi depuis le camp souterrain, il comprit qu'on ne s'évadait pas du Temps et que cet instant qu'il lui avait été donneé de voir enfant, et qui n'avait pas cessé de l'obséder, c'était celui de sa propre mort.
(29/7/1921 - 29/7/2012)
r.i.p.
sábado, 30 de junho de 2012
quarta-feira, 6 de junho de 2012
"Mulher minha tem que trabalhar!"
Gritou, com uma ferocidade tremenda:
“Mulher minha tem que trabalhar!”. E emendou: “Mulher que
fica em casa esperando o marido é o fim da picada, entendeu? É o fim da picada!
Simplesmente não dá!”.
Moreira repetia o mote com uma certa constância, sempre que
se dava conta que a esposa, com quem havia se casado recentemente, não
conseguia um emprego. Moreira, artista plástico, se dizia um homem moderno,
contemporâneo, à frente do seu tempo. A era do machismo, para ele, tinha que
ser sepultada. Mulher tinha que trabalhar, tinha que ajudar a trazer dinheiro
para dentro de casa.
Todas as vezes, a mulher ouvia aquilo, pequena, sem reação.
Procurava trabalho há dois anos e sempre ouvia nãos. As portas se fechavam em sua
cara com ferocidade só parecida com os gritos do marido. Era uma mulher jovem,
nos seus vinte, quase-trinta. Bonita. Melhor, linda. Chamava a atenção, fazia
os homens entortarem o pescoço. Ouvia tantas cantadas que sentia certo asco da
virilidade masculina. Se interessava por Moreira, por sua
sensibilidade, a sensibilidade de um artista plástico.
O casamento
Casaram-se há dois anos, com promessas de felicidade eterna.
Moreira era o homem cobiçado dos sonhos de Catarina, um homem atraente,
sensível: um bom partido. Resolveram marcar o casamento logo. Mal se passaram
meses de namoro e a roupa branca já tomou conta do corpo curvilíneo de
Catarina. Disseram o sim, igreja lotada, amigos e familiares sorridentes e as
luzes nos olhos de Catarina eram a metonímia da felicidade. Nada poderia dar
errado.
Deu.
Depois da Lua de Mel, mudaram-se para o novo apartamento – com
porteiro, Moreira fazia questão -, e passaram a viver o casamento. Moreira,
artista plástico, pintava mulheres, homens, paisagens. Mas preferia pintar
mulheres. Jovens, de preferência. Traria mais visibilidade a seu trabalho,
dizia. As obras de Moreira, em sua maioria, eram essas jovens, mulheres,
despidas, deitadas em seu ateliê como madonas renascentistas. Ele gostava
daquilo.
Catarina não gostava tanto, mas via com indiferença. Conheceu
o marido daquele jeito, não poderia mudá-lo agora. E nem queria. Diversas vezes
chegava em casa e se deparava com Moreira pintando alguma jovem estudante.
Assentia com a cabeça, recebia um beijo morno, na testa, e saía
sempre em silêncio. Como dizia sua mãe, era um esposa exemplar. Respeitava o
trabalho do marido, cumpria seu papel de esposa. Na realidade, admirava o
marido profundamente, admirava aquelas mulheres jovens e espetaculares que ele
trazia para seu apartamento e sentia uma certa inveja daqueles corpos recém
esculpidos.
Mas respeitava o marido. Respeitava tanto que, mesmo que desconfiasse
que a traição era a terceira moradora de sua casa, não se deixava contaminar pelas suspeitas. Deixava acontecer. Ou ao
menos achava tudo isso. Não iria estragar o casamento recém realizado por
desconfianças banais. Catarina era uma esposa padrão, conforme repetia a sua mãe.
Seis meses de casados se passaram, os quadros vinham, as
jovens deitavam-se e os corpos se desembrulhavam. Catarina via aquela rotina
com certa misoginia, fingia não se perturbar. Com seus quase trinta, era uma
mulher absolutamente qualificada, tinha mestrado e doutorado e dezenas de
artigos publicados. Era convidada com certa frequência para debates acadêmicos
e contribuía para o corpo de professores de uma universidade como professora
assistente. Mas sem receber. Não recebia um centavo, a universidade não tinha
fundos. Ela entendia.
E ia levando. Moreira, com o tempo, foi se tornando cada vez
mais distante. Trancava-se no ateliê com as jovens. Fechava a porta. O beijo na
testa, morno, esfriou de vez, deixou de existir. Catarina chegava em casa e via
um pedaço de madeira pintada, trancada, inerte. Dentro, alguns sorrisos. Ele
estava trabalhando, era um artista. Mas o artista, assim como o beijo na testa,
tornou-se ausente. Com frequência, Catarina, cambaleante, desistia de esperar
pelo marido e se entregava às cobertas. Ele vinha horas mais tarde, podre de
cigarro, álcool e bafo. Deitava-se e dormia. Ainda acordada na cama, ela via toda a
sequência, mas fingia dormir para não contrariar o marido. Não se dignava a tentar alguma coisa.
O trabalho
Tornou-se rotina. Mulheres, jovens, bonitas, pequenas como
ela. De todos os tipos. Vinham, trancavam-se, ela dormia sozinha. Com um corpo
natimorto ao seu lado, mas fundamentalmente sozinha. Não havia interação.
Eis que um dia, na mesa do café, Moreira solta o brado: “mulher
minha tem que trabalhar!”. Catarina, tomada por um susto súbito, argumentou que
trabalhava. Era professora, tinha mestrado e doutorado. “Trabalhar de verdade!”,
ele dizia, numa ignorância tribal. Aquilo deprimia Catarina, mas ela ainda não sabia
se o deprimente era a colocação do marido ou o caminho que escolheu para a sua
vida.
Com o tempo, a frase também passou a fazer parte da rotina
do casal, junto com as mulheres e o quarto trancado. Catarina passou a procurar
emprego. Saía de casa bem cedo e ia, durante horas, à procura de uma ocupação. O
não salário da universidade tornava-a em desacordo com os sonhos do marido.
Talvez por isso ele a trocasse – será que trocava? – por suas vivas obras de arte.
Catarina sentia-se incomparável a elas.
Batia em várias portas, seguia classificados dos jornais,
procurava na internet, com amigos. “Você é qualificada demais”, dizia um. “Não
temos vagas no momento”. “Você é bonita demais”. As respostas eram múltiplas,
mas todas no mesmo tom: o do não. Catarina tentava não se acostumar com aquilo
e seguir em frente, mas o não era a sua realidade. O do marido, o do emprego, o
do dinheiro. Se acostumou. Todo mundo se acostuma.
Mulher minha tem que
trabalhar
Nos dias que saía de casa, Catarina percebia os olhos
masculinos. Todos se voltavam para ela. Isso causava certo desconforto, porque
Catarina, uma esposa padrão, conforme sua mãe, tinha olhos somente para o
marido.
No segundo ano de casamento, Moreira passou a realizar seus
trabalhos em um escritório longe do apartamento. Passou a dormir várias noites
no escritório. “Para acelerar os trabalhos”, dizia. A solidão de Catarina
tornou-se insuportável. Acordava sozinha, dormia sozinha. Passava o restante do
tempo sufocada pela cidade, engolida pela fúria da cidade, que a impedia de
trabalhar. Era qualificada demais. De corpo e de espírito.
Das muitas vezes que tentava um emprego, mostrava seu
currículo, sorria de forma angustiante para o empregador e era despida
completamente pelos olhos alheios. A humilhação repetia-se com
frequência. O corpo de Catarina era investigado a cada milímetro, devassado por
olhares inquietos e pupilas dilatadas de palpitação. Todas as vezes que saia
para a cidade, era subjulgada por ela. O mestrado e o doutorado de nada valiam
para alguém com um corpo daqueles. Era inútil discutir. Na verdade, preferiam
Catarina de boca fechada e o mais quieta possível. Uma escultura curvilínea,
uma obra de arte que seu marido não enxergava. Serviria para ser admirada e
nada mais.
O trabalho
Uma manhã, na multidão inumana do metrô, juntamente com um exército de
sonâmbulos a caminho de suas rotinas, ela foi abordada por uma mulher. Mais velha
do que ela, mais feia do que ela, acabada. Olhou de forma esquisita para aquela
pessoa e recebeu um cartão. Era um cartão de uma “agente de modelos”. “Você é
muito bonita, pense na proposta e me ligue”, disse a mulher. Catarina desconversou,
mas gostou particularmente do “bonita”. Não ouvia aquilo há anos. Ouvia as vulgaridades
que surgiam do asfalto, ouvia os silêncios de Moreira, mas não era elogiada.
Tinha se acostumado a não ser elogiada.
Em casa resolveu ler novamente o cartão. Procurou o marido
para contar a façanha. Ao bater na porta do ateliê, ouviu um “estou
trabalhando!”, o que a fez lembrar, automaticamente, que ela não trabalhava. E que
mulher precisava trabalhar. Ligou para o telefone no cartão, conversou com a
mulher do metrô, ouviu com atenção as qualidades necessárias para o trabalho.
Achava-se incapaz, mas ouviu da agente que tinha mais do que o necessário. Sentiu-se confiante, uma sensação um tanto estranha, alienígena. Ouvindo
isso, prontificou-se a ir para o local combinado, no dia seguinte, à noite.
À noite
Depois de sair do escritório, como de costume, Moreira parou
no bar da esquina com uns amigos. Após vários chopes, entrou no estabelecimento
ao lado. Aquele ritual era frequente, repetia-se, normalmente, às terças-feiras.
Não era dia de jogo, ficava mais fácil. Ele e os amigos já eram conhecidos, bem
tratados e ganhavam as mais distintas regalias.
Sentaram-se nas decrépitas poltronas de couro, uísques sem
gelo nos copos, olhos vidrados no palco. Com o apagar de luzes e o início de
uma música luxuriosa, subiu ao palco uma figura espetacular, acachapante. Uma
mulher impressionantemente linda, corpo hipnotizante, olhar de causar desconforto.
A figura subiu no círculo de madeira com pequeninas peças de couro e
salto-alto. Aos poucos, foi tirando as peças de roupa, uma de cada vez, o mais
devagar e torturantemente possível. Os homens, a esmagadora maioria naquele recinto,
viravam animais brutos e torpes, bichos encantados.
Por estar longe do palco, Moreira não conseguia visualizar com
cuidado o rosto daquela figura que, de tão impactante, acreditava ser mística.
Após estar quase completamente desnuda, a mulher desceu do palco e caminhou pelo
meio das poltronas e sofás do estabelecimento. Recebia urros, elogios dos mais
diversos, gritos apaixonadamente pecaminosos. Ao chegar perto do grupo de
Moreira, fitou o marido com violência.
Catarina, acordada de um estado de transe, olhava-o com uma força tremenda, demolindo o marido por dentro.
Moreira, impaciente, vislumbrava uma nova mulher, uma deusa transformada e
renascida. Ao olhar com afinco para a mulher, em completa e irrestrita
admiração, Moreira tentava tocá-la com os dedos, suor escorrendo pela testa,
uma vontade quase incontrolável de possuí-la. As jovens de sua arte eram
incomparáveis àquele turbilhão em movimento.
Tentou tocá-la, balbuciar algo, mas Catarina tapou-lhe a
boca e retornou ao palco, fazendo uma espécie de show particular para cada um
dos presentes naquele espetáculo quimérico. Para cada um deles. Após o show, maravilhado, Moreira
esperou a esposa na porta do local. Esperou por quase duas horas. A esposa não
apareceu, ele resolveu ir para casa.
Perturbado com aquela imagem destruidoramente poderosa,
deitou na cama do casal e esperou a chegada da mulher, o que só aconteceu
muitas horas depois. Catarina entrou no quarto e, imediatamente, Moreira
fez-lhe juras de compromisso. Ela deu de ombros, foi ao chuveiro e deitou-se.
Não lhe falou uma mísera sílaba. Adormeceu. O marido não teve a audácia de tocá-la.
No dia seguinte, Moreira esperou-a na cozinha, com um
sorriso incomum, um carinho esquecido. Convidou-a para jantar.
“Não posso, tenho que trabalhar”, foi a resposta dela.
Catarina havia se tornado uma esposa padrão.
domingo, 27 de maio de 2012
SEQÜÊNCIA 1.
EXT. PISCINA DE HOTEL – NOITE
EXT. PISCINA DE HOTEL – NOITE
Pés engelhados em superclose. É possível ver as
ranhuras dos dois pés, muito brancos, que bóiam dentro de uma piscina azul.
Corta. Câmera em médio plano de um homem boiando, de bruços, dentro da piscina.
De shorts igualmente azuis como a piscina. Ele não está respirando. A câmera
mostra uma situação de quase-morte. O personagem está boiando, sem demonstrar
qualquer reação. Está de noite e apenas uma fraca lâmpada ilumina o ambiente. Numa
cadeira à beira da piscina, um par de sandálias, uma toalha dobrada, um cartão
e um tocador de mp3.
SEQÜÊNCIA 2.
EXT. AVENIDA – NOITE
EXT. AVENIDA – NOITE
Na avenida ao lado do edifício onde se encontra a
piscina, não há nenhum carro ou pedestre. O vento balança alguns coqueiros da
localidade e há poucas nuvens no céu.
SEQÜÊNCIA 3.
EXT. PISCINA DE HOTEL – NOITE
EXT. PISCINA DE HOTEL – NOITE
Close na lateral do rosto da personagem, imerso na
água. A situação, estática, continua por mais alguns instantes, até que surgem algumas
poucas borbulhas dentro d’água. Depois dessas primeiras, que surgem
vagarosamente, outras começam a aparecer, com mais violência e velocidade. O
personagem começa a se debater dentro da piscina, sem ainda levantar a cabeça
de dentro da água. A quantidade de bolhas aumenta progressiva e
assustadoramente. Ele começa a bater com os braços na água, em profunda
agressividade, até que levanta a cabeça e respira desesperadamente com a boca,
fazendo um barulho de quem estava à beira de um afogamento e encontrou oxigênio
no último instante.
A câmera foca o rosto do homem, de aparência jovem,
cabelos escuros jogados sobre o rosto, que puxa o ar com força, enchendo os
pulmões, até começar a respirar com normalidade. Apoiando os dois punhos na
borda da piscina, se ergue da água. Num enfoque minimalista, planos dos dois
braços do personagem, das suas costas e dos shorts azul marinho.
O personagem se enxuga com a toalha e senta na cadeira
ao lado da mesa da piscina. Abre uma carteira de cigarros e começa a fumar,
olhando para a água. Passa as mãos nos cabelos, olha o relógio, enxuga o visor,
olha novamente, conferindo a hora. Permanece sentado, tragando a fumaça, com o
olhar vidrado na água, até que coloca os fones do aparelho de mp3 nos ouvidos e
levanta da cadeira, pegando o cartão e calçando as sandálias.
SEQÜÊNCIA 4.
INT. SAGUÃO DO HOTEL – NOITE
INT. SAGUÃO DO HOTEL – NOITE
(INSERT DE TRILHA)
Ouvindo a música, o personagem caminha, sem camisa,
com a toalha jogava sobre os ombros, pelo saguão do hotel. As sandálias fazem
barulho característico de pés encharcados. Um hóspede passa por ele e o
cumprimenta com a cabeça. Ele finge um sorriso constrangido em retribuição e
chega ao elevador.
SEQÜÊNCIA 5.
INT. ELEVADOR/CORREDOR DO ANDAR – NOITE
INT. ELEVADOR/CORREDOR DO ANDAR – NOITE
(AINDA AO SOM DE
“ISOLATION”, DO JOY DIVISION, QUE SE DESFAZ NA PERGUNTA DA MULHER)
Entra. Aperta seu andar e olha novamente o relógio. Ao
sair do elevador, se encaminha até a porta de sua suíte e a abre com o cartão.
Uma MULHER, do quarto vizinho, aparece no corredor. Bonita e arrumada, olha
para ele com ternura. Ela é mais velha do que ele.
MULHER
Oi. Está tudo bem?
PERSONAGEM
(evasivo)
Sim, claro.
MULHER
Está morando por aqui ou só passando
uns dias?
PERSONAGEM
Alguns dias, acho.
MULHER
Ah, aqui é ótimo. Você vai gostar, já
estava aproveitando a piscina, veja só. Se precisar de alguma coisa, estou aqui.
Seja bem-vindo.
PERSONAGEM
Obrigado.
Com essa resposta, entra na suíte. A mulher olha para
a porta que acabou de se fechar por uns instantes, como se estivesse entendendo
a personalidade daquela pessoa. Depois, se encaminha para o elevador.
SEQÜÊNCIA 6.
INT. SUITE – NOITE
INT. SUITE – NOITE
O personagem acende o interruptor e entra no banheiro
domingo, 20 de maio de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
I'll tell you about punk rock: punk rock is a word used by dillitante's and ah... and ah... heartless manipulators about music that takes up the energies and the bodies and the hearts and the souls and the time and the minds of young men who give what they have to it and give everything they have to it and it's a... it's a term that's based on contempt, it's a term that's based on fashion, style, elitism, satanism and everything that's rotten about rock'n'roll. I don't know Johnny Rotten but I'm sure... I'm sure he puts as much blood and sweat into what he does as Sigmund Freud did. You see, what sounds to you like a big load of trashy old noise is in fact the brilliant music of a genius, myself . And that music is so powerful that it's quite beyond my control and ah... when I'm in the grips of it I don't feel pleasure and I don't feel pain, either physically or emotionally. Do you understand what I'm talking about? Have you ever felt like that? When you just couldn't feel anything and you didn't want to either. You know? Like that? Do you understand what I'm saying sir?
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