sexta-feira, 2 de março de 2012

Francisco Chagas, sociólogo


Francisco Chagas, ou simplesmente Chico, como era chamado pelos seus alunos, repetia as mesmas coisas todos os dias. Acordava com imensa dificuldade, abria os olhos com preguiça e se espreguiçava com gosto. Dormia numa cama de casal, mas acordava sozinho. Sua mulher tinha morrido há três anos, vítima de um câncer no pâncreas. Disseram a ele que o câncer de pâncreas é o pior de todos. No início foi difícil, se encolhia num canto e chorava por horas a fio. Colocava a cabeça entre as mãos e pensava na esposa, no quão importante ela era e em todas as lembranças que construíram juntos.

Na ocasião da morte, pediu licença da universidade, onde dava aulas na graduação de Sociologia, para tentar colocar a cabeça no lugar. Chico ainda não tinha se acostumado com a idéia de estar sozinho, de acordar sozinho, de dormir sozinho, de não ter os sorrisos compartilhados, as mãos dadas, o sexo e até as brigas. Tinha 43 anos e vivia uma vida módica, repetitiva, comum. Francisco Chagas não era ninguém. Morava sozinho no mesmo apartamento de dois quartos no Leblon que dividira com a mulher. Não tinha amigos, seu filho morava na Alemanha, onde fazia doutorado, e o restante de seus parentes não lhe dava bola.

A relação com o rebento não era e nunca foi muito boa. Os dois não se batiam e, se conseguia entender o mecanismo de funcionamento das sociedades ao longo do tempo, Chico não se comunicava com seu filho. Os dois conviveram por 23 anos no mesmo espaço e não compartilharam nenhuma história importante, nenhum momento especial. Logo depois da morte da mãe, o rapaz foi para o exterior. A despedida do pai foi complicada, Francisco foi até o aeroporto internacional com os olhos marejados. Mesmo que já se sentisse assim com o filho do lado, sabia que agora ia ficar sozinho de verdade. Flávio não soube corresponder direito ao abraço que o pai lhe deu.

Os dois nunca tinham trocado carinhos, sorrisos, nada. Era uma mera convenção formal. No portão de embarque, Flávio não olhou para trás. Passou pela alfândega levando uma mala de mão, teve o passaporte vistoriado e entrou. Francisco ficou arrasado, foi correndo para o banheiro do aeroporto e escolheu a primeira cabine vazia para chorar. Sabia que agora não tinha mais jeito, que a relação que poderia tentar construir com o filho não voltaria mais e que havia milhares de quilômetros separando os dois. Seus esforços e as tentativas de Flávio de reviver algo que nunca existiu sempre foram insuficientes.

Os dois nunca tiveram uma boa noção do que era realmente ser pai e filho, Chico tornou-se pai aos 19 anos, não estava preparado, e Flávio dividia a atenção do pai com dezenas de alunos da graduação. Concorrência que considerava desleal, pois nunca foi afeito à Sociologia. O elo de ligação entre os dois era a mãe, Ligia. Mediadora de discussões e de silêncios, ela tentava criar uma convivência, ainda que forçada, entre as partes. Também fracassou. Fingia que conseguia, a verdade era essa. O fato é que, depois de sua morte, Francisco passou a chorar com freqüência.

Era um homem forte, sadio, admirado pelas alunas. Chamava a atenção, tinha os olhos bem pretos e arredondados, barba mal feita e um ar inegável de intelectual, mas escondia lá dentro uma personalidade muito sensível. No dia da despedida do filho, passou cerca de 20 minutos dentro da cabine. Chorava copiosamente, encarava a ida de Flávio como uma segunda morte na família e essa mais cruel ainda, pois era remediável. Esperou as lágrimas cessarem e limpou os olhos o máximo que pudesse, não podia andar no saguão do aeroporto naquele estado. Depois de lavá-los com bastante água e respirar fundo, foi até o carro. Olhou na agenda do telefone celular, mas não viu nenhum amigo que pudesse lhe dar algum conforto. Nenhum colega de profissão que o acompanhasse e amparasse.

Na volta para casa, um turbilhão de pensamentos tomou conta de si. Sua cabeça pesava mais do que nas piores crises de enxaqueca e suas mãos não conseguiam pressionar o volante com força. Chegou a pensar em soltar as mãos e ver o que acontecia, se o carro estava desalinhado ou não, se poderia pender para a esquerda, bater contra o meio-fio e capotar cinematograficamente na pista. Sempre teve curiosidade em saber como é estar dentro de um carro que capota. Será que dói? Nunca soube. Por mais frágil que suas mãos estivessem, dirigiu até em casa.

A entrada no apartamento foi das mais tristes. O quarto que dividia com a mulher ainda conservava muitas lembranças dela: fotografias, quadros, livros, sorrisos, cheiros, cores, sensações. Agora também havia o do filho, intacto, simples. Uma cama de solteiro, alguns livros, um tênis apoiado na parede. Chico costumava andar na praia do Leblon. Tentava, desesperadamente, pensar em outras coisas, em algo que lhe desse alguma motivação. Não funcionava muito, ele se boicotava e andava muito pouco e, quando andava, acaba desistindo no meio do caminho e sentava na areia, olhando o mar.

No dia em que acordou, fazia muito frio. Depois de lutar muito com a própria resistência em levantar e de pensar na esposa que não estava mais consigo, o professor abriu as pesadas cortinas pretas e, ainda de pijama, pegou o jornal na porta. As noticias eram iguais há 20 anos, exatamente as mesmas coisas, só mudavam os protagonistas. Era um remake da mesma peça de teatro. Apesar de ter a assinatura, Francisco não lia o jornal. Comprava porque se algum aluno perguntasse algo, ele poderia checar, mas, por conta própria, lia a capa e o caderno de esportes, no máximo.

Achava aquilo tudo uma hipocrisia sem tamanho e se irritava quando alguém começava a comentar algum caso que estivesse em destaque na mídia. Tomava café sem a menor emoção, mastigava o pão duro e velho com desagrado e remexia o mamão com a colher de chá. Tirava as sementes pretas e as esmagava contra o prato azul. Comia pouco no café da manhã, não tinha mais a mulher para fazer omeletes, panquecas e as tortas que adorava. Se virava como podia. Tinha uma vida franciscana depois da morte da esposa. Guardava algum dinheiro no banco, mas evitava usá-lo. Talvez deixasse para o filho, mas ainda não ponderou sobre o assunto.

Enquanto comia, Chico folheava o jornal, lia as manchetes de assassinato, crise, inflação, desemprego e olhava as figuras do caderno de esportes, onde lia as matérias do Vasco da Gama. Colocava uma quantidade descomunal de açúcar no café. Para ficar acordado nas aulas, dizia. Depois de comer, Francisco sempre levava os pratos para a pia da cozinha, mas não lavava nenhum. Deixava-os sujos por dias até que a situação ficava insuportável e ele então tomava alguma atitude.

Quando ia para a universidade, tentava ouvir algum disco antigo. Apostava em clássicos da bossa nova, mas tudo o que colocava para tocar lhe lembrava de Ligia. Menescal, Jobim, Lyra, ela era viciada em todos eles. Colecionava vinis originais dos artistas e tinha uma compilação de cds que adorava. A bem verdade, Chico ouvia aquilo para ficar mais perto da mulher. As vezes se distraía pensando nela, fazia uma manobra mais arriscada no trânsito ou esquecia de travar as portas. Se a esposa era apaixonada por musica, ele era, ou tinha sido, pela Sociologia. Estudara na Europa, onde fez doutorado e consumia livros por compulsão. Tinha mais de 400 em casa e jurava que tinha lido a maioria. Nas aulas, a paixão não vinha muito a tona.

Falando a verdade, ele já não via mais o porquê de fazer aquilo. Os alunos eram burros, insuportáveis, desinteressados. Ninguém ali queria aprender, só queriam notas no fim do período. E Francisco fazia isso. Dava suas aulas no modo automático, não olhava pra o rosto de nenhum dos alunos, os entulhava de conteúdo desorganizado, e depois aprovava todos. Algumas garotas tentava ludibriá-lo com decotes e outros artifícios para garantir um eventual aumento na nota, mas Francisco abominava aquele tipo de prostituição desesperada da burrice.

Passava nove horas na universidade, onde, às vezes, tomava café com algum outro professor ou aluno mais interessado. Eram ocasiões raríssimas. Preferia sempre expresso, com muito açúcar. Não ia para outros lugares depois do expediente. Chico era um professor atuante, lutava pelas melhorias das condições de ensino e de infra-estrutura acadêmicas, mas a paralisia da administração da faculdade o desanimava cada vez mais. Era simplesmente inútil continuar tentando. Costumava tomar um chope com alguns colegas até a data da morte de Ligia. Depois daquele dia, ia direto para casa.

Passava entre uma hora e meia e duas horas no trânsito até que chegava no seu apartamento de dois quartos no Leblon. Assistia um pouco de televisão, olhava as pessoas caminhando na rua, comia alguma coisa e então colocava o pijama que a esposa tinha lhe dado de presente anos atrás. Com ele, deitava na cama de casal e abria os braços esperando um abraço que não viria. Vivia incompleto. E seria assim por todos os dias

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

02/02/1997

não é preciso muito tempo para se tornar atemporal.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Interlúdio

O interfone tocou.
- É Pedro, pra senhora - disse a voz.
- Pode mandar subir – respondeu.
Vaidosa, foi para a frente do espelho e conferiu os cabelos. Estavam razoavelmente arrumados. Estava sem batom, mas, bem, agora não daria tempo.
A campainha tocou.
- Oi, Flávia – disse um rapaz com seus 16, em inglês, voz rouca e masculina.
- Oi, Pedro – respondeu.
Entrou no cômodo. Era uma sala média, com mobília de madeira e uma mesa de vidro no centro. Em cima da mesa, uma toalhinha rendada branca, daquelas que se compra em feirinha.
Ela esperou. Ele sentou. Ela sentou sem seguida.
- Como foi o fim de semana? – ela perguntou, tocando os cabelos e passando a mão pelos lábios.
- Foi bom, nada demais. Fui ao cinema – respondeu, sem olhar nos olhos dela.
Ela vestia uma saia curta, um pouco acima dos joelhos, preta. As pernas cruzadas embaixo da mesa de vidro, sapatos igualmente pretos.
Ele não olhou.
- Bem, que bom. Viu alguma coisa boa? – ela perguntou.
- Um filme de ação, não gostei muito – o rapaz respondeu.
Ela tocou novamente os cabelos lisos e negros, que iam até os ombros. Era uma mulher em seus cinqüenta e muitos. Olhos cansados, algumas olheiras, pele marcada de sol. Rugas. Mas a saia preta curta estava lá. Depois da resposta, ele abriu a mochila e tirou uns papéis rabiscados.
- Eu só consegui fazer parte da lição – confessou.
Ela sorriu.
- Sem problemas. Vamos corrigir o que você fez.
Ela abriu um enorme livro. O rapaz a olhou nos olhos, desconcertado. Ela deu-lhe um meio sorriso. Daqueles que a boca mal abre. Ele não respondeu.
Em seguida, começaram a correção da lição.
- Ok, agora você faz esse exercício de múltipla escolha. Você tem 20 minutos. No máximo, ok? – perguntou ela.
- Ok.
O rapaz debruçou-se sobre as folhas do exercício. Textos longos em branco e preto desvelavam-se por páginas e páginas. Começou a ler o material.
Ela o fitava insistentemente. Embaixo da mesa, um tango de suas pernas. Cruzava e descruzava. Em dado momento, afastou a toalhinha da mesa para que o vidro desse mais espaço à carne. Cruzou as pernas de novo. O rapaz estava concentrado na tarefa designada.
Uma porta se abriu e um homem com seus 60 passou pela sala. A mulher levantou os olhos e lhe abriu um sorriso. Ele ignorou solenemente. Passou por professora e aluno e entrou em outro cômodo. Ela desceu os olhos. Tornou a fitar o aluno, candidamente.
Alguns segundos depois, o homem tornou a passar pela sala, dessa vez com um copo d’água. Novamente o gesto se repetiu. Ele a ignorou. Ela coçou a boca com a mão e colocou as mãos enrugadas sobre as coxas por debaixo da mesa.
Os 20 minutos se passaram. O rapaz acertou poucos exercícios. Finda uma hora, deixou R$ 70 sobre a mesa. Levantou.
- Então até terça – disse.
- Até – respondeu ela, olhando-o profundamente nos olhos.
O elevador chegou, ele se foi. Ela ainda ficou no corredor do andar por alguns segundos, mirando a porta fechada. Depois, olhou para as próprias pernas e mãos. Entrou em casa, sentou na cadeira da mesa de vidro e ficou ali, em silêncio.
Cinco minutos depois, o interfone tornou a tocar.
- Senhora, é o Rodrigo – disse a voz.
- Pode mandar subir.
Ela sorriu, ajeitou os cabelos, conferiu a saia, os anéis nos dedos.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

I need a lover with soul power

And you ain't got no soul power

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

28 minutos

A relação que desenvolvi com a música beira o desaconselhável. Passo horas pesquisando, escutando e, até recentemente, escrevendo sobre música. Poucas coisas me deixam mais realizado que ver um bom show, viajar para assistir a um festival, conversar sobre música com amigos e desconhecidos. Cansei de ir sozinho para shows. E continuo indo. Gosto de ouvir discos antes de dormir, quando ando de bicicleta na praia, no trânsito. Gosto de ouvir discos com fone de ouvido para poder ouvir os graves com mais atenção. Catalogo discos, dou notas, classifico todos os álbuns que ouço por gênero e ano. Faço listas de melhores shows, melhores discos, melhores capas, melhores discos de 1968, melhores discos de 1997. Tento compartimentar um prazer tão disperso, que a grande maioria das pessoas encara como mero passatempo, como atividade acessório para outra. É um processo interminável de conhecimento de discos, bandas, gêneros. Praticamente toda semana deparo-me com um disco incrível ou uma banda desconhecida que vale a pena; essas pequenas descobertas valem.

Não se para mais para ouvir um disco. Aliás, nem mesmo se usa mais a palavra disco. Virou sinônimo de passado. Passado como o ato de parar um pouco e colocar a bolacha para girar, realmente fazer valer aquele momento. Eu escrevo disco. Lembra a fase dos grandes álbuns conceituais, de blocos de música casualmente separados por faixas ou lados, de minutos de gravações com sequência temática que os tornam únicos. Curiosamente, nunca vivi essa fase. Lembro dos vinis dos meus pais, lembro de vinis empoeirados do Roberto Carlos e do Nazareth na casa dos meus avós, mas nunca vivenciei o ato de viver o vinil. Apesar dessa incongruência, levada a cabo por questões cronológicas, sinto que compartilho desse sentimento que não vivi. Desse sentimento passado de dar devida atenção a uma obra. Trabalho árduo esse, que pode levar tempo, ao contrário da fugacidade dos .mp3, .flac, .wav etc.

Achar certos discos dá trabalho. Vários são difíceis de encontrar em uma qualidade decente, mesmo em tempos de internet. Outros simplesmente não estão aí para serem baixados ou coisa que o valha. Estão esperando uma boa alma disponibilizá-los. O meu processo de busca por música é muito solitário. Quando se tratam de lançamentos do ano corrente, tento ouvir tudo o que aparece, mas, claro, com mais atenção aos gêneros que me atraem mais. É absolutamente impossível ouvir tudo. Quanto aos anos anteriores, normalmente busco referências aleatórias para novos discos e, na maioria das vezes, vou no feeling atrás de um álbum ou artista. Diversas vezes isso funcionou e eu repassei adiante a dica.

Gosto de poder indicar um disco ou banda para alguém, ou gravar um disco com faixas aleatórias que representem um pouco da pessoa. Ou simplesmente com músicas que eu creio que ela vá gostar. É a velha sensação de compartilhar conhecimento, mesmo que a reação seja negativa. Receber indicações, ato contrário, também é processo engrandecedor. Pela minha busca incessante por música, normalmente recebo menos dicas. O processo fica, em grande medida, solitário. Mas há certos discos que vêm de modo inesperado. Muitos são redescobertos por intermédio de outras pessoas. Isso marca, quando se tratam de discos verdadeiramente importantes. Encaro como um encontro de sensibilidades.

Há discos que não são fáceis, que requerem certo amadurecimento e, arrisco dizer, acostumar os ouvidos para serem realmente compreendidos. Outros eu simplesmente ouço no turbilhão de álbuns que me deparo semanalmente e não dou a devida atenção. Há outros que acabam compartimentados em pastas e tocadores de música e só aparecem quando o shuffle resolve colaborar. Além disso, há aqueles que não podem ser ouvidos devidamente, pela falta de tempo, e são atropelados por outros afazeres; são ouvidos como acessórios de outras atividades. Perdem força não por culpa deles, mas por culpa exclusiva minha. Assim, vários acabam esquecidos em um limbo de notas, listas e classificações em gêneros, sem serem compreendidos como deveriam.

Nesse processo de redescobertas trazidas por outros, veio o Pink Moon (1972). Há pelo menos sete anos já tinha ouvido o disco diversas vezes, mas por pura falta de maturidade, desinteresse ou incapacidade, não dei a devida atenção à obra 28 minutos de Nick Drake. Talvez por ser um disco com voz, violão, piano (em apenas uma faixa) e uma carga emocional gigantesca. Gravado em somente duas noites, é um trabalho carregado de paradoxos. Cru, não deixa de ser um retrato de um artista depressivo e melancólico. Talvez por isso bonito. E direto. Há certos discos que, creio, não podem ser acessados sozinho, você precisa de alguém que lhe dê a mão e mostre o verdadeiro valor de uma obra de arte. Que abra seus olhos para algo que você negligenciou, que mostre, às vezes de modo indireto, o incomensurável poder de apenas 28 minutos de voz, acordes e um mísero piano. Lembro de grandes discos da minha vida que foram indicações de outras pessoas. Discos esses que marcaram e ainda marcam etapas, que não podem ser dissociados do meu amadurecimento e descoberta do mundo.

Lembro de cada um deles e dos momentos em que foram indicados. E de todas essas pessoas. E também lembro os discos que indiquei e que mudaram a vida de outros. A memória do sujeito da indicação e da própria confunde-se, embaralha-se, fixa. Atribui-se sentido adicional ao trabalho artístico.

Diversos discos que marcaram a minha vida estão ligados a momentos específicos, a contextos mutáveis, a condições climáticas características, a pessoas específicas. O processo cresce ao ser compartilhado.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

a todos

por um fim de ano lindo, colorido e sonoro; por um novo começar, um turbilhão de bons sentimentos, lirismos, sorrisos; por um eterno caminhar, completo em sua incompletude; pela vontade de tomar asas de empréstimo, de voar.